• 1 Livra-me dos meus inimigos, ó meu Deus; defende-me daqueles que se levantam contra mim.
  • 2 Livra-me dos trabalhadores da iniquidade, e salva-me dos homens sanguinários.
  • 3 Pois eis que eles ficam à espreita por minha alma; os poderosos se juntam contra mim; não por transgressão minha, nem por pecado meu, Ó Senhor.
  • 4 Eles correm, e se preparam sem minha culpa; acorda para me socorrer, e contempla.
  • 5 Tu, portanto, Ó Senhor Deus dos Exércitos, o Deus de Israel, acorda para visitar todos os pagãos; não sejas misericordioso com nenhum dos perversos transgressores. Selá.
  • 6 Eles voltam à tarde, fazem um barulho como o de um cachorro, e andam circulando a cidade.
  • 7 Eis que eles dão gritos com as suas bocas; espadas estão em seus lábios; pois quem, dizem eles, acaso ouve?
  • 8 Mas tu Ó Senhor, se rirá deles; tu terás todos os pagãos em escárnio.
  • 9 Por causa da sua força, esperarei em ti, pois Deus é a minha defesa.
  • 10 O Deus da minha misericórdia me preservará; Deus me deixará ver o meu desejo sobre os meus inimigos.
  • 11 Não os mates, para que o meu povo não se esqueça; espalha-os pelo teu poder, e humilha- os, Ó Senhor, nosso escudo.
  • 12 Pelo pecado da sua boca e as palavras dos seus lábios, deixá-los até serem levados em seu orgulho, e pelo amaldiçoar e mentir que eles falam.
  • 13 Consome-os em ira, consome-os, para que eles não possam existir, e que eles saibam que Deus reina em Jacó até os fins da terra. Selá.
  • 14 E à tarde deixai-os retornar, e fazerem barulho como um cachorro, e andarem rodeando a cidade.
  • 15 Deixai-os vaguear para cima e para baixo por alimento, e invejem se não se satisfizerem.
  • 16 Mas eu cantarei o teu poder; sim, pela manhã cantarei alto a tua misericórdia, pois tu tens sido a minha defesa e refúgio no dia da minha tribulação.
  • 17 A ti, ó força minha, eu cantarei; pois Deus é a minha defesa, e o Deus da minha misericórdia.

Versículos 1-7: Davi pede que seja livre de seus inimigos; 8-17: Prevê a destruição deles.

Vv. 1-7. Nestes termos, podemos ouvir a voz de Davi, quando estava preso em sua própria casa; a voz do Senhor Jesus Cristo quando estava rodeado por seus inimigos, sem qualquer misericórdia; a voz da Igreja, quando está cercada pelo mundo; e a voz do cristão submetido à tentação, aflição e perseguição. Assim, pois, devemos orar fervorosamente a cada dia, para que sejamos defendidos e livres de nossos inimigos espirituais, da tentação de Satanás e da corrupção de nossos próprios corações. Temamos sofrer como malfeitores, e nunca nos envergonhemos de odiar a iniquidade. Os iníquos não consideram o que dizem, nem crêem que Deus levará em conta suas palavras. No lugar onde não há o temor a Deus, nada há que assegure a devida consideração por seu nome.

Vv. 8-17. É nossa sabedoria e dever esperarmos em Deus nos momentos de perigo e dificuldade, porque Ele é a nossa defesa, em quem estaremos a salvo. É muito consolador para nós que, quando orarmos, contemplemos o Senhor como o Deus de nossa misericórdia, Autor de todo o bem que existe em nós, e Doador de tudo o que é bom para nós. O ímpio jamais se sentirá satisfeito, o que é ainda a pior miséria em uma situação de pobreza. se o homem que se sente contente não tem o que gostaria de ter, também não pelejará contra a providência de Deus, nem sentirá ansiedade em seu interior. Não é a pobreza que torna o homem infeliz, mas o descontentamento. Davi louva a Deus porque sempre tem encontrado nEle o seu refúgio no dia da angústia. Quem é tudo isto para nós, certamente é digno dos nossos melhores afetos, louvores e serviços. As provas de seu povo terminarão em gozo e louvores. Quando terminar a noite da aflição, na manhã seguinte, cantarão o poder e a misericórdia do Senhor. Louvem-no agora, crentes, em fé e esperança pelas misericórdias pelas quais se regozijarão e o louvarão para sempre.

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

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