• 1 Moisés disse ao povo: — Então continuamos a viagem pelo deserto na direção do golfo de Ácaba, conforme o SENHOR Deus me havia ordenado. E por muito tempo caminhamos sem rumo pela região montanhosa de Edom.
  • 2 Então o SENHOR me disse:
  • 3 “Já faz muito tempo que vocês andam por aí sem rumo. Agora vão na direção do norte.”
  • 4 E Deus ordenou que eu lhes dissesse: “Vocês vão passar pelo país de Edom, que é dos seus parentes , os descendentes de Esaú. Eles ficarão com medo de vocês, mas tomem cuidado
  • 5 para não provocarem uma luta com eles. Eu não darei a vocês nem mesmo um pedacinho da terra deles, pois foi aos descendentes de Esaú que eu dei o território de Edom.
  • 6 Vocês poderão comprar deles a comida e a água que precisarem.”
  • 7 — Lembrem que o SENHOR, nosso Deus, abençoou tudo o que vocês fizeram. Ele não esqueceu vocês durante os quarenta anos em que caminharam por esse enorme deserto. Ele sempre cuidou de vocês, dando-lhes tudo o que precisavam.
  • 8 — Assim rodeamos o país de Edom, deixando o caminho que vai de Elate e Eziom-Geber até o mar Morto e seguindo o caminho que vai até o deserto de Moabe.
  • 9 E o SENHOR Deus me disse: “Não ataque os moabitas, que são descendentes de Ló, nem entre em luta com eles. Eu dei a eles a cidade de Ar e não darei a você nenhuma parte do país deles.”
  • 10 (Antigamente uma raça numerosa de gigantes fortes, chamados emins, vivia em Ar. Eles eram tão altos como os anaquins, outra raça de gigantes.
  • 11 Tanto os anaquins como os emins eram conhecidos como refains; mas os moabitas os chamavam de emins.
  • 12 Naquele tempo os horeus viviam em Edom, mas os descendentes de Esaú os expulsaram dali, acabaram com eles e ficaram morando no seu território. Os descendentes de Esaú fizeram a mesma coisa que os israelitas fizeram mais tarde, quando estes tomaram posse da terra que o SENHOR lhes tinha dado.)
  • 13 — Depois atravessamos o riacho de Zerede, conforme Deus havia mandado.
  • 14 Isso foi trinta e oito anos depois de termos saído de Cades-Barneia. Durante esses anos aconteceu aquilo que o SENHOR nos tinha dito: morreram todos os homens daquela geração que tinham idade para ir à guerra.
  • 15 O SENHOR ficou contra eles e os foi matando, até que não sobrou mais nenhum deles no acampamento dos israelitas.
  • 16 — Depois da morte de todos aqueles homens,
  • 17 o SENHOR Deus me disse:
  • 18 “Passe hoje pela cidade de Ar, na fronteira com Moabe.
  • 19 Quando chegar à terra dos amonitas, que são descendentes de Ló, não os ataque, nem entre em luta com eles. Eu entreguei a eles a terra de Amom e não darei a você nenhuma parte do país deles.”
  • 20 (Essa região é conhecida também como a terra dos refains, uma raça de gigantes que antigamente moravam ali; os amonitas os chamavam de zanzumins.
  • 21 Havia muitos deles, e eram altos e fortes, como os anaquins. Deus destruiu os zanzumins, e os amonitas ocuparam a região e ficaram morando ali.
  • 22 Deus havia feito a mesma coisa em favor dos edomitas, que são descendentes de Esaú: ele acabou com os horeus, e os edomitas ocuparam a terra deles e ali moram até hoje.
  • 23 Os cretenses fizeram a mesma coisa: eles saíram da ilha de Creta, invadiram a terra dos avins, no litoral do mar Mediterrâneo, e foram na direção do sul até a cidade de Gaza. Os cretenses acabaram com os avins e ficaram morando nas cidades deles.)
  • 24 — Depois que atravessamos o país de Moabe, Deus nos disse: “Continuem avançando e atravessem o rio Arnom, pois eu deixarei que vocês derrotem Seom, o rei dos amorreus, que mora na cidade de Hesbom. Lutem contra Seom e tomem posse da terra dele.”
  • 25 E Deus me disse: “De hoje em diante eu vou fazer com que todos os povos do mundo tenham medo de você. Você será famoso, e, quando ouvirem falar a seu respeito, todos ficarão tão assustados, que tremerão de medo.”
  • 26 E Moisés continuou, dizendo: — Depois, quando estávamos no deserto de Quedemote, mandei que alguns mensageiros levassem ao rei Seom, que morava na cidade de Hesbom, um tratado de paz, com as seguintes condições:
  • 27 “Pedimos licença para passar pelo seu país. Prometemos andar somente pela estrada, sem sair dela;
  • 28 e também pagaremos pela comida e pela bebida que precisarmos. A única coisa que queremos é licença para passarmos pelo seu país
  • 29 até chegarmos ao rio Jordão. Então atravessaremos o rio para entrar na terra que o SENHOR, nosso Deus, nos está dando. Os descendentes de Esaú, que moram em Edom, e os moabitas, que moram em Ar, já nos deram licença para passarmos pelos países deles.”
  • 30 Mas o rei Seom não deixou, pois o SENHOR, nosso Deus, fez com que Seom ficasse teimoso e rebelde. Deus fez isso para que nós pudéssemos derrotar o rei Seom e conquistar a terra dele, que é nossa até hoje.
  • 31 — Então o SENHOR Deus me disse: “Veja! Eu vou deixar que você derrote Seom; ataque-o imediatamente e tome posse da terra dele.”
  • 32 Seom saiu com o seu exército para lutar contra nós na cidade de Jasa.
  • 33 O SENHOR, nosso Deus, nos deu a vitória, e nós derrotamos Seom, os seus filhos e todo o seu exército.
  • 34 Além disso conquistamos e destruímos todas as suas cidades e matamos todos os homens, mulheres e crianças. Não escapou ninguém.
  • 35 Mas ficamos com o gado e com os objetos de valor que encontramos nas cidades.
  • 36 O SENHOR, nosso Deus, deixou que conquistássemos todas as cidades, desde Aroer, que fica perto do vale do rio Arnom, e desde a cidade que está no vale, até a região de Gileade. Nós conquistamos todas as cidades, mesmo as que tinham muralhas altas e fortes.
  • 37 Não invadimos a terra dos amonitas, nem as cidades que ficam nas margens do rio Jaboque, nem as que ficam na região montanhosa, nem os outros lugares que o SENHOR, nosso Deus, havia proibido.

Versículos 1-7: Passam pelos edomitas à distância; 8-23: Passam pelos moabitas e amonitas; 24- 37: A destruição dos amorreus.

Vv. 1-7. Dá-se apenas um breve relato da longa permanência de Israel no deserto. Deus não somente os castigou, por sua murmuração e incredulidade, mas também preparou-os para Canaã; os israelitas foram humilhados por terem pecado, para que fossem ensinados a mortificar as suas luxúrias, a seguir a Deus e a consolar-se com Ele. Mesmo que Israel tivesse que aguardar por muito tempo, à espera de libertação e prosperidade, estas finalmente chegariam. Antes que Deus levasse Israel a destruir os seus inimigos em Canaã, ensinou-lhes a perdoar os seus inimigos em Edom. Não deveriam pensar, sob o pretexto do pacto e conduta de Deus, de apropriar-se de tudo quanto pudessem lançar mão. O domínio não se fundamenta na graça. O Israel de Deus será bem edificado, mas não pode esperar que seja edificado sozinho no meio da terra. A religião jamais deve ser um manto para a injustiça. Os israelitas sentem-se abatidos por verem-se obrigados a passar diante dos edomitas, quando têm um Deus completo e suficiente, do qual dependem. Utilizemos o que temos com alegria. Uma vez que temos a experiência do cuidado da providência divina, jamais utilizemos métodos distorcidos para nosso abastecimento. Todo este ensino pode ser igualmente aplicado à experiência do crente.

Vv. 8-23. Conhecemos a origem dos moabitas, edomitas e amonitas. Moisés também proporciona um caso mais antigo do que qualquer um deles: os caftorins expulsaram os aveus de seu território. Estas revoluções mostram quão inseguros são as domínios mundanos. Foi assim no passado, e assim será para sempre. Há famílias que sofrem declínios e a sua fortuna é transferida para famílias que prosperam; existe pouca continuidade nestas coisas. Isto fica escrito com o objetivo de animar os filhos de Israel. Se a providência de Deus foi a favor dos moabitas e dos amonitas, muito mais fará acontecer a sua promessa por Israel, que é o seu povo peculiar. São advertidos a não se envolver com os moabitas e amonitas. Não se deve causar dano nem sequer aos ímpios, pois Deus também concede e preserva as bênçãos exteriores para eles; estas não são as melhores coisas, pois Ele tem bênçãos ainda melhores reservadas para os seus filhos.

Vv. 24-37. Deus prova o seu povo, ao proibi-los de intrometer-se com os ricos países de Moabe e Amom. Dá-lhes a terra dos amorreus como possessão. Se nos abstivermos do que Deus prole, não perderemos por obedecer. De Jeová é a terra e a sua plenitude; Ele a dá a quem lhe compraz. Porém, quando não há uma concessão, ninguém pode rogar que Ele lhe entregue estes bens. Apesar de Deus assegurar aos israelitas que a terra será deles, terão que contender com o inimigo. Temos que nos esforçar para alcançar o que Deus nos concede. Que mundo novo era aquele em que Israel estava agora entrando! Ainda maior será o gozo que as almas santas sentirão por causa da mudança, quando passarem do deserto deste mundo para a pátria melhor, isto é, a celestial, a cidade que tem fundamentos! Que ao meditarmos nos tratos de Deus com Israel, seu povo, sejamos guiados a meditar nos anos em que vivemos indignamente, por causa das nossas transgressões. Porém, bem-aventurados são os que Jesus tem livrado da ira vindoura, aqueles a quem Ele tem dado o fervor de seu Espírito em seus corações. A sua herança não pode ser afetada pelas mudanças e revoluções dos reinos, nem pela mudança das possessões terrestres.

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

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