• 1 O SENHOR me disse o seguinte:
  • 2 — Homem mortal, diga ao seu povo o que acontece quando eu faço vir a guerra a um lugar. O povo desse lugar escolhe alguém para ser vigia.
  • 3 Quando vê o inimigo chegando, o vigia dá o alarme para avisar toda a gente.
  • 4 Se alguém ouve o aviso, porém não se importa, e o inimigo vem e o mata, esse alguém é responsável pela sua própria morte.
  • 5 Ele é culpado da sua própria morte porque não se importou com o alarme. Se tivesse se importado, poderia ter escapado.
  • 6 Mas, se o vigia vê o inimigo se aproximando e não dá o alarme, o inimigo vem e mata aqueles pecadores. Nesse caso, eu considerarei o vigia como responsável pela morte deles.
  • 7 — Agora, homem mortal, eu estou pondo você como vigia de toda a nação de Israel. Você dará a eles os avisos que eu lhe der.
  • 8 Se eu disser que um homem mau vai morrer, mas você não o avisar para que mude o seu modo de agir e assim salve a sua vida, aí ele morrerá, sendo ainda pecador. Nesse caso, eu considerarei você como responsável pela morte dele.
  • 9 Porém, se você avisar o homem mau, e ele não parar de pecar, ele morrerá como pecador, mas você viverá.
  • 10 O SENHOR me disse o seguinte: — Homem mortal, repita aos israelitas o que eles andam dizendo: “Os nossos pecados e maldades são um peso para nós. Estamos nos acabando. Como podemos viver?”
  • 11 Diga-lhes que juro pela minha vida que eu, o SENHOR Deus, não me alegro com a morte de um pecador. Eu gostaria que ele parasse de fazer o mal e vivesse. Povo de Israel, pare de fazer o mal. Por que é que vocês estão querendo morrer?
  • 12 — Agora, homem mortal, diga aos israelitas que, quando um homem correto pecar, o bem que ele fez não o salvará. Se um homem mau parar de fazer o mal, ele não será castigado; e, se um homem correto começar a pecar, ele não continuará vivendo.
  • 13 Se eu prometer dar a vida a um homem correto, e se ele começar a pecar porque pensa que a sua bondade passada o salvará, aí eu não lembrarei de nenhuma das boas ações que praticou. Ele morrerá por causa dos seus pecados.
  • 14 Se eu avisar um homem mau, dizendo que vai morrer, e se ele parar de pecar e fizer o que é bom e correto —
  • 15 por exemplo, se devolver o objeto que lhe deram como garantia de pagamento de uma dívida ou se devolver o que roubou — se ele parar de pecar e seguir as leis que dão vida, ele não morrerá, mas viverá.
  • 16 Eu perdoarei os pecados que cometeu. Ele viverá porque fez o que é bom e correto.
  • 17 — No entanto, o seu povo diz que o que eu, o Senhor, faço não está certo! São eles que não estão certos!
  • 18 Quando um homem correto para de fazer o bem e começa a fazer o mal, ele morrerá por causa disso.
  • 19 Quando um homem mau para de pecar e faz o que é bom e correto, ele salvou a sua vida.
  • 20 Mas você, povo de Israel, diz que o que eu faço não está certo. Eu os julgarei por aquilo que fazem.
  • 21 No ano décimo segundo do nosso cativeiro, no dia cinco do décimo segundo mês , um homem que havia escapado de Jerusalém veio e me contou que a cidade tinha sido tomada.
  • 22 Na noite antes da chegada dele, eu tinha sentido a presença poderosa de Deus, o SENHOR. E na manhã seguinte, quando o homem chegou, o SENHOR me deu de novo a fala .
  • 23 O SENHOR me disse o seguinte:
  • 24 — Homem mortal, os moradores das cidades arrasadas na terra de Israel estão dizendo o seguinte: “Abraão era um homem só, e toda esta terra foi dada a ele. Nós somos muitos, e por isso agora a terra é nossa.”
  • 25 — Diga a essa gente o que eu, o SENHOR Deus, estou dizendo: “Vocês comem carne com sangue , adoram ídolos e cometem crimes de morte. Por que é que estão pensando que a terra é de vocês?
  • 26 Vocês confiam nas suas espadas. O seu modo de agir é nojento. Todos cometem adultério. Por que estão pensando que a terra é de vocês?”
  • 27 — Diga a essa gente que eu, o SENHOR Deus, estou avisando: Juro que os moradores das cidades arrasadas serão mortos. Os que vivem no campo serão comidos por animais selvagens. Os que estão escondidos nas montanhas e cavernas ficarão doentes e morrerão.
  • 28 Farei com que o país vire um deserto abandonado. O poder de que se orgulhavam acabará. As montanhas de Israel ficarão tão desertas, que ninguém passará por elas.
  • 29 Quando eu castigar o povo pelos seus pecados e fizer com que o país vire um deserto, aí eles ficarão sabendo que eu sou o SENHOR.
  • 30 O SENHOR disse: — Homem mortal, quando os seus irmãos israelitas conversam perto das muralhas da cidade ou na porta das suas casas, eles falam de você. Eles dizem: “Vamos saber o que o SENHOR tem para nos dizer agora.”
  • 31 Assim o meu povo se ajunta em grande número para ouvir o que você tem para dizer, mas eles não querem pôr em prática o que você diz. “Ele fala bonito” — eles dizem, mas o que querem é ganhar dinheiro.
  • 32 Para eles você não passa de um cantor de canções de amor ou tocador de harpa. Eles ouvem o que você diz, porém não fazem nada daquilo que você manda.
  • 33 Porém, quando acontecer tudo o que você diz — e vai acontecer mesmo —, aí eles ficarão sabendo que um profeta esteve no meio deles.

Versículos 1-9: O dever de Ezequiel como atalaia; 10-20: Ele deve reivindicar o governo divino; 21-29: A desolação da Judéia; 30-33: Juízos para aqueles que zombam dos profetas.

Vv. 1-9. O profeta é um sentinela da casa de Israel. O seu trabalho é advertir os pecadores sobre a desgraça e o perigo. Ele deve advertir o ímpio para que deixe o seu mau caminho para viver. Se uma alma perecer por sua própria negligência quanto ao dever, a culpa é dela mesma. Observe pelo que devem responder aqueles que desculpam o pecado, afagando os pecadores e exortando-os a crer que terão paz, ainda que continuem no pecado. Quão mais sábios são os homens em suas preocupações temporais do que nas espirituais! Colocam atalaias para guardarem as suas casas e sentinelas para que lhes advirtam sobre a aproximação do inimigo, mas quando o que está em jogo é a felicidade ou a miséria eterna da alma, se ofendem se os ministros obedecem o mandamento de seu Senhor e lhes dão uma fiel advertência; preferem perecer ouvindo coisas doces.

Vv. 10-20. Aqueles que se desesperam por achar misericórdia em Deus têm resposta em uma declaração solene da prontidão de Deus para mostrar misericórdia. A ruína da cidade e do estado estava decidida, porém, isto não estava relacionado com o estado final das pessoas. Deus disse que o justo certamente viverá, mas muitos que fizeram profissão de fé foram destruídos pela orgulhosa confiança em si mesmos. o homem que confia em sua própria justiça e presume de sua própria suficiência é levado a cometer iniquidade. Se aqueles que têm levado uma vida ímpia se arrependerem e abandonam os seus maus caminhos, serão salvos. Muitas mudanças surpreendentes e benditas têm sido realizadas pelo poder da graça divina. Quando é estabelecida uma separação entre o homem e o pecado, não haverá mais separação entre ele e Deus.

Vv. 21-29. Sem dúvida, não é possível ensinar aqueles que não aprendem a depender de Deus quando todos os consolos humanos falham. Muitos reivindicam participação nas bênçãos peculiares dos crentes verdadeiros, enquanto a sua conduta demonstra que são inimigos de Deus. Dizem que a sua presunção sem fundamentos é uma fé firme, quando o testemunho de Deus os declara merecedores de suas ameaças e nada mais.

Vv. 30-33. Motivos indignos e corruptos costumam levar os homens a lugares onde se prega fielmente a Palavra de Deus. Muitos chegam para encontrar algo a que se opor; muitos vêm mais por pura curiosidade ou costume. os homens podem agradar suas fantasias com a Palavra, sem que as suas consciências sejam tocadas nem os seus corações transformados. Porém, não importa se os homens ouvem ou deixem de ouvir, saberão que um servo de Deus esteve entre eles. Todos aqueles que não desejam conhecer o valor das misericórdias aproveitando-as, conhecerão o seu valor pela falta destas.

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

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