• 1 HAVENDO Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho,
  • 2 A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo.
  • 3 O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas;
  • 4 Feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles.
  • 5 Porque, a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, Hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, E ele me será por Filho?
  • 6 E outra vez, quando introduz no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem.
  • 7 E, quanto aos anjos, diz: Faz dos seus anjos espíritos, E de seus ministros labareda de fogo.
  • 8 Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; Cetro de eqüidade é o cetro do teu reino.
  • 9 Amaste a justiça e odiaste a iniqüidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu Com óleo de alegria mais do que a teus companheiros.
  • 10 E: Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, E os céus são obra de tuas mãos.
  • 11 Eles perecerão, mas tu permanecerás; E todos eles, como roupa, envelhecerão,
  • 12 E como um manto os enrolarás, e serão mudados. Mas tu és o mesmo, E os teus anos não acabarão.
  • 13 E a qual dos anjos disse jamais: Assenta-te à minha destra, Até que ponha a teus inimigos por escabelo de teus pés?
  • 14 Não são porventura todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?

Introdução Esta epístola mostra o Senhor Jesus Cristo como a finalidade, o fundamento, o corpo e a verdade das figuras da lei mosaica, aquelas que por si mesmas não traziam nenhuma virtude para a alma. A grande verdade expressa nesta epístola é que Jesus de Nazaré é o Deus verdadeiro. Os judeus não convertidos utilizaram muitos argumentos para tirar os seus irmãos convertidos da fé cristã. Apresentavam a lei de Moisés como superior à dispensação cristã. Falavam contra tudo aquilo que estava relacionado ao Salvador. No entanto, o apóstolo ressalta a superioridade de Jesus de Nazaré como o Filho de Deus, e os benefícios de seus sofrimentos e de sua morte como sacrifício pelo pecado, de modo que a religião cristã é muito mais excelente e perfeita que a de Moisés. O principal objetivo é fazer com que os hebreus convertidos progridam no conhecimento do Evangelho, sejam estabelecidos na fé cristã e impedidos de afastarem-se dela, contra o que são fervorosamente advertidos. Mesmo contendo muitas coisas que eram adequadas aos hebreus dos primeiros tempos, também contém muitas que nunca deixam de interessar à Igreja de Deus, porque o conhecimento de Jesus Cristo é a própria medula e os ossos de todas as Escrituras. A lei cerimonial está repleta de temas relacionados a Cristo, assim como todo o Evangelho também está; as benditas linhas de ambos Testamentos juntam-se nEle, e o principal objetivo da epístola aos Hebreus é descobrir como ambos estão de acordo, e unem-se de modo harmônico e doce em Jesus Cristo. Hebreus 1

Versículos 1- 3: A insuperável dignidade do Filho de Deus em sua Pessoa divina, e em sua obra de mediação e criação; 4-14: A insuperável dignidade do Filho de Deus em sua superioridade a todos os santos anjos.

Vv. 1-3. Deus falou ao seu antigo povo em diversos tempos, em sucessivas gerações e de maneiras diversas, como lhe pareceu apropriado. Às vezes, por meio de instruções pessoais e sonhos, às vezes por visões e influência divina na mente dos profetas. A revelação do Evangelho supera a anterior com excelência, por ser uma revelação que Deus concedeu por meio de seu Filho. Ao contemplar o poder, a sabedoria e a bondade do Senhor Jesus Cristo, contemplamos o poder, a sabedoria e a bondade de Deus Pai (Jo 14.7). A plenitude da divindade habita não somente como em um tipo ou em uma figura, mas sim de modo real nEle. Quando, por ocasião da queda do homem, o mundo foi despedaçado sob a ira e a maldição de Deus, o Filho de Deus empreendeu a obra da redenção, sustentando-a por meio de seu poder e bondade como Todo-Poderoso. Da glória da pessoa e do ofício de Cristo, passamos à glória da sua graça. A glória e a natureza de sua pessoa deram mérito aos seus sofrimentos, que foram uma plena satisfação para a honra de Deus, pois sofreu um dano e uma afronta infinita por causa dos pecados dos homens. Nunca poderemos estar suficientemente agradecidos por Deus nos ter revelado a salvação, e ter-nos falado de tantas formas e com claridade crescente, a nós, que éramos pecadores caídos. O fato de Ele mesmo nos ter limpado de nossos pecados é um prodígio de amor superior à nossa capacidade de admiração, gratidão e louvor.

Vv. 4-14. Muitos judeus tinham um respeito supersticioso ou idólatra pelos anjos, porque haviam recebido a lei e outras notícias a respeito da vontade divina por meio da ministração destes. Consideravam-nos como mediadores entre Deus e os homens, e alguns chegaram tão longe que renderam-lhes uma espécie de homenagem religiosa ou adoração. Desta maneira, era necessário que não somente o apóstolo insistisse em que Cristo é o Criador de todas as coisas e, portanto, o Criador dos próprios anjos, e que era também o Messias em natureza humana, ressuscitado e exaltado, a quem estão sujeitos os anjos, bem como todas as autoridades e potestades. Para provar esta verdade cita várias passagens do Antigo Testamento. Comparando aquilo que Deus disse acerca dos anjos, com o que disse ao Senhor Jesus Cristo, é claramente manifestada a inferioridade dos anjos em relação a Ele. Aqui está o trabalho dos anjos: são ministros ou servos de Deus para fazerem a sua vontade. Que coisas grandiosas foram ditas pelo Pai do Senhor Jesus Cristo! Reconheçamo-lo e honremo-lo como Deus, porque se não fosse Deus, jamais teria feito a obra de mediação, e jamais teria a coroa de Mediador. É declarado como Cristo foi apto para o ofício de Mediador e como foi confirmado neste: tem o nome de Messias por ser o Ungido. Somente como homem possui semelhantes, e como ungido pelo Espírito Santo; porém, está acima de todos os profetas, sacerdotes e reis que já foram empregados no serviço a Deus na terra. Cita-se outra passagem das Escrituras (Sl 102.25-27), na qual declara-se o poder onipotente do Senhor Jesus Cristo, tanto ao criar o mundo como ao mudá-lo. Cristo envolverá este mundo como se fosse uma roupagem, para que não se abuse mais dele, nem seja utilizado como o foi. Como soberano, mesmo enquanto a roupagem de seu estado real esteja dobrada e guardada, continua sendo o soberano; da mesma maneira que o nosso Senhor continuará sendo o Senhor quando tiver deixado de lado a terra e os céus como uma roupa. Então, não coloquemos o nosso coração naquilo que não é o que cremos ser, e que não será o que é agora. O pecado trouxe uma grande mudança ao mundo, para pior, e Cristo traz uma mudança ainda maior, porém para melhor. Que estes pensamentos nos alertem, e nos tornem diligentes e desejosos em relação ao mundo melhor. O Salvador fez muito para que todos os homens fossem seus amigos, porém, tem inimigos que ainda serão postos por estrado de seus pés, pela humilde sujeição, ou pela extrema destruição. Cristo continuará vencendo e agindo para vencer. Os anjos mais excelsos são espíritos ministradores, servos de Cristo para executarem as suas ordens. Os santos são, no presente, herdeiros que ainda não tomaram a posse completa de sua herança. Os anjos ministram-lhes opondo-se à maldade e ao poder dos maus espíritos, protegendo e cuidando de seus corpos, instruindo e consolando as suas almas, sujeitos a Cristo e ao Espírito Santo. Os anjos reunirão todos os santos no último dia, quando todos aqueles que colocaram o seu coração e as suas esperanças nos tesouros perecíveis, e nas glórias passageiras, serão lançados da presença de Cristo à miséria eterna.

Comentário Bíblico de Matthew Henry domínio público

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